João Bunyan - O Sonhador Imortal (1628-1688)
Enquanto
me sentia condenado às penas eternas, admirei-me de como o próximo se
esfoçava para ganhar bens terrestres, como se esperasse viver aqui
eternamente... Se eu pudesse ter a certeza da salvação da minha alma,
como me sentiria rico, mesmo que não tivesse mais para comer a não ser
feijão.
Busquei
ao Senhor, orando e chorando, e do fundo da alma clamei: "Ó Senhor,
mostra-me, eu te rogo, que me amas com amor eterno!" Logo que clamei,
voltaram para mim as palavras, como um eco: "Eu te amo com amor eterno!"
Deitei-me para dormir em paz e, ao acordar no dia seguinte, a mesma paz
permanecia na minha alma. O Senhor me assegurou: "Amei-te enquanto
vivias no pecado, amei-te antes, amei-te depois e amar-te-ei por todo o
sempre".
"Tua justiça está nos céus". Não é o meu bom coração que torna a minha justiça melhor, nem que a prejudica; porque a minha justiça é o próprio Cristo, o mesmo ontem, hoje e para sempre.
"Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a misericórdia, nos salvou".
Antes temia a morte, mas depois clamei: "Quero morrer". A morte tornou-se para mim uma coisa desejável. Não se vive verdadeiramente antes de passar para a outra vida. "Oh", pensava eu, "esta vida é apenas um sonho em comparação à outra!".
"Herdeiros de Deus!". O próprio Deus é a porção dos Santos.
Percebi pelas escrituras que o Espírito Santo não quer que os homens enterrem seus talentos e dons, mas antes que despertem esses dons... Dou graças a Deus por me haver concedido um medida de entranhas e compaixão pela alma do próximo, e me enviou a esforçar-me grandemente para falar uma palavra que Deus pudesse usar para apoderar-se da consciência e despertá-la.
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